Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
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TRISTEZA

'Não foi por minha culpa', diz amiga de lutadora morta na festa de aniversário

O ex-namorado de Luciane da Silva é apontado como mandante da morte de Patrícia Leite, que completava 26 anos no final de semana. Luciane ajudou a amiga a preparar a festa e não foi ao velório dela


29/01/2019 às 18:10

“Não foi por minha culpa”. A afirmação é da jovem Luciane Cardoso da Silva, 19, amiga da lutadora de jiu-jítsu Patrícia da Cunha Leite, assassinada na própria festa de aniversário, no último final de semana, no bairro Japiim, Zona Sul de Manaus. A família da vítima acusa o ex-namorado de Luciane, Eduardo Navegante, 22, de ter sido o mandante do crime, após ele e Patrícia se desentenderem depois de ela saber que a amiga era agredida pelo ex-companheiro.

“Queria que eles entendessem que era amiga dela. Que, assim como eles estão sofrendo pela perda dela, eu estou. Bastante. Ainda mais por uma pessoa que eu convivia que tirou a vida dela, minha própria amiga. Não foi para se vingar, por vingança, não foi por minha culpa. Foi por questão que eles tiveram conflito também. E essa culpa está caindo para cima de mim”, disse a jovem em entrevista ao apresentador Mário Cesar Filho, da TV A Crítica, que foi ao ar nesta terça-feira (29).

“Está me doendo demais não poder ir ver ela. Porque estão dizendo que eu sou o pivô disso, sendo que é uma coisa que não aconteceu”, afirmou Luciene.

Eduardo, com quem Luciene namorou por 11 meses, foi um dos três presos por suspeita no envolvimento do crime, apontado pela polícia como latrocínio. Ontem as prisões dele, de Carlos Abraão Rodrigues Farias, 19, e de Ronaldo Borges Silva, 32, foram convertidas em preventivas.

Segundo Luciene, o desentendimento entre Patrícia e Eduardo começou este mês, quando seu relacionamento com ele terminou, com uma indireta da lutadora publicada nas redes sociais.

“Ela disse que ele tinha chamado atenção dela. Não sei se era curtindo uma foto ou alguma coisa. Então, por meio disso, que ela viu que ele estava online, ela postou coisas falando que, se fosse a irmã dela, iria matar, que não era para (o Eduardo) fazer isso, essas coisas. Se fosse com alguém da família dela, ela iria matar”, disse.

Patrícia era perseguida por Eduardo

Luciene revelou conversas no aplicativo WhatsApp em que Patrícia contava à amiga que Eduardo estava passando perto da casa dela com frequência.

“Ela mandou mensagem não uma vez, mas várias vezes, dizendo que ele estava passando toda hora na frente da casa dela. Tanto que ele passava na frente da casa dela e subia à esquerda, que andava na rua da casa da minha tia, também. Ele passava lá, ele passava olhando para dentro da casa da minha tia também. E a minha tia fala, eu tenho prints também da minha tia falando ‘o Eduardo passou aqui hoje’”, assegura a jovem, que também afirma não ter imaginado que o ex-namorado seria capaz de tirar a vida da amiga.


Conversa entre Luciane e Patrícia no WhatsApp. Foto: Reprodução/TV A Crítica

“Tem áudios dela falando que ficou com raiva por ele estar tendo estas atitudes (agressões) comigo. Então ela se revoltou. Ele sempre foi agressivo, mas eu jamais imaginaria que ele poderia fazer isso, seria capaz de matar uma pessoa. Por raiva, por ira. Eu só quero que seja feita a justiça mesmo. Porque eu quero ver ela pela última vez. Eu to com coisa na minha cabeça, me atormentando o tempo todo. Meu Deus, preciso ver ela. Ela é minha amiga”, lamentou.

Após ter sido agredida, Luciene procurou a Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher (DECCM). Algo que, segundo ela, Patrícia não fez mesmo com a perseguição de Eduardo.

O dia da festa

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As amigas Patrícia e Luciene passaram juntas o dia da festa de aniversário em que a atleta acabou assassinada. Luciene ajudou a colega a preparar a comemoração.

“Eu acordei sete horas da manhã, ajudei ela, ajudei a pegar camisa, ajudei a pegar bolo. Arrumei, organizei, tudo isso foi a gente que fez. Foi quando a gente viu tudo, que ficou tudo rosa e branco, tudo bonito, ela ficou muito feliz. Ela chorou, me agradeceu por ter ajudado ela, estava super feliz. Até tem uma coisa que ela falou, porque a camisa que foi feita (para a festa) tem a foto dela. Ela até falou: ‘vão até pensar que eu morri’”, lembrou Luciene.

A amiga participou de parte da comemoração, mas não estava no evento na hora em que Patrícia foi baleada. “Então chegou a noite e a gente ficou comemorando. Só que a minha mãe passou mal, acho que era umas onze horas. A gente saiu e fomos para a drogaria. Pouco tempo depois, aconteceu isso, mas eu não sabia. Eu vim saber dez horas da manhã (do dia seguinte, o domingo)”, contou.


Festa do aniversário de Patrícia, momentos antes de ela ser baleada. Foto: Reprodução/Internet

Questionada sobre qual a reação ao saber da morte de Patrícia, Luciane disse que desmaiou. “Ainda mais quando disseram que foi ele (o Eduardo)”, completou a jovem que não participou do velório da amiga.

“Falei que precisava ver a Patrícia, só que os meus amigos me disseram que não era pra eu ir, porque a mãe da Patricia, o pessoal estavam falando que, se eu fosse, iriam me bater. Não diretamente a mãe dela, mas o pessoal que estava lá”, afirmou.

As últimas palavras de Patrícia para Luciane foram dadas ainda no calor das comemorações de aniversário, quando se despediram: “Eu te amo”.

Entenda o crime

Baleada com um tiro na cabeça durante sua festa de aniversário, a lutadora de jiu-jítsu Patrícia da Cunha Leite, que completava 26 anos, morreu na tarde do último domingo (27) no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, na Zona Leste de Manaus.

O crime ocorreu na madrugada, na Rua 31 de julho, no Japiim, na Zona Centro-Sul. Conforme informações da Polícia Civil, por volta das 3h, PMs receberam uma denúncia de que quatro homens em um carro modelo Corsa estariam cometendo assaltos pelos bairros São Lázaro, Santa Luzia e Japiim, todos na Zona Centro-Sul de Manaus. Em diligência, a PM conseguiu identificar os suspeitos próximo à Avenida Tefé, na Zona Sul da capital.

Conforme a 3ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), dois homens do grupo realizaram assalto na residência onde estava ocorrendo o aniversário da jovem e efetuaram disparos contra a vítima após anunciar assalto. O celular de uma das convidadas da festa também foi roubado durante a ação.

Carlos Abraão Rodrigues Farias, 19, Eduardo de Alencar Navegante, 22, e Ronaldo Borges Silva, 32, foram presos pelos crimes de homicídio, roubo majorado, cárcere privado e associação criminosa ainda no domingo (27).

Os três infratores prestaram depoimento relatando o caso e atribuindo a um comparsa foragido a autoria do crime. Com eles, foram encontrados diversos aparelhos celulares, um veículo roubado e um simulacro de fuzil. Ronaldo já responde a processo por um homicídio praticado em 2009.

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