Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2020
novo processo

Nyata não paga caução e Tropical Hotel vai a leilão novamente no Rio de Janeiro

‘Nyata - Soluções em Pagamentos’ deu o lance de R$ 120 milhões, mas não depositou a caução (garantia legal) de R$ 6 milhões



tropical_4E0364EE-D29B-4C08-8344-830ED0474495.jpg Foto: Winnetou Almeida
14/01/2020 às 15:54

O complexo hoteleiro do Tropical Manaus, localizado na Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus, irá novamente a leilão no dia 11 de fevereiro, no Sindicato dos Leiloeiros do Rio de Janeiro. No primeiro leilão, realizado no dia 16 de dezembro de 2019, a empresa amazonense ‘Nyata - Soluções em Pagamentos’ deu o lance de R$ 120 milhões, mas não depositou a caução (garantia legal) de 5%, de R$ 6 milhões, do valor total estimado do hotel, avaliado em R$ 182,1 milhões, em tempo hábil.

O hotel de luxo que já recebeu reis, príncipes, celebridades internacionais, presidentes e comitivas de Estado parou de receber hóspedes em maio de 2019 depois da interrupção no fornecimento de energia elétrica devido a débitos de mais de R$ 8 milhões com a concessionária Amazonas Energia. O empreendimento acumula ainda dívida trabalhista que pode chegar a R$ 20 milhões, segundo o Sindicato dos Empregados do Comércio Hoteleiro do Amazonas. Desde 2011, a administração do hotel não depositava o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dos funcionários.



Com o descumprimento do item do edital, o juiz Paulo Assed Estefan, titular da 4ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), não homologou a venda. De acordo com reportagem do jornal "O Estado de São Paulo", o processo ocorrerá em condições semelhantes ao leilão de dezembro. "O leilão foi negativo porque a Nyata não cumpriu o requisito do edital, então o juiz preferiu marcar outro leilão", disse o advogado e administrador da massa falida, Pedro Cardoso, à reportagem do Estadão.

A arrematação acontecerá, em primeira sessão, mediante lance igual ao da avaliação, de R$ 182,1 milhões, e na ausência de interessados será oferecido, em segunda sessão, o imóvel pela quantia de R$ 120 milhões. O prazo para credenciamento de interessados é até 7 de fevereiro, segundo o jornal "O Estado de São Paulo".

A assessoria de imprensa da Nyata informou à reportagem de A CRÍTICA que a empresa está disposta a dar como lance a quantia de R$ 120 milhões no leilão do próximo dia 11. “No primeiro leilão, dois interessados (duas empresas) estavam presentes e ambos não fizeram o depósito conforme o previsto no leilão. O juiz preferiu não homologar e avalio ser mais justo reabrir o leilão e refazê-lo. Isso não foi novidade para nós, até esperávamos e estamos bem tranquilos em relação à decisão proferida. A proposta vinculante que consta nos autos se mantém. O hotel só não será arrematado pela Nyata caso seja apresentado uma proposta de maior valor”, declarou à reportagem um dos sócios da empresa que prefere não ser identificado.

Em julho de 2019, o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT11) anunciou o leilão do hotel, avaliado em R$ 60 milhões. Com a venda, o TRT11 buscava ressarcir direitos trabalhistas, além de pagar outras dívidas. Todavia, por divergências no valor da avaliação, o desembargador David de Mello Júnior suspendeu o procedimento.

O edital do leilão foi extraído dos autos da falência da FRB PAR Investimentos S.A., Varig Participações em Serviços Complementares S.A. VPSC, Companhia Tropical de Hoteis, Companhia Tropical de Hoteis da Amazônia, Tropical Hotelaria LTDA e Oceano Praia Hotel LTDA, e acontecerá no Rio de Janeiro, promovido pela 4ª Vara Empresarial do TJ-RJ, pois é onde foi decretada a falência do empreendimento pertencente a um grupo empresarial também proprietário de outros imóveis.

Memória

Localizado às margens do Rio Negro, o hotel foi inaugurado em 1976 pelo antigo Grupo Varig com a presença de oitocentos convidados, inclusive, o então presidente da República, Ernesto Geisel. Com a falência da companhia aérea, o empreendimento passou, em sua totalidade, para o controle da rede Tropical Hotels & Resorts Brasil. Em 2017, o hotel passou a ter gestão própria e a ser o único do grupo a manter a marca Tropical.

Em junho de 2019, a reportagem de A CRÍTICA esteve nas instalações internas do hotel e se deparou com o ambiente deserto e o clima sombrio devido à escuridão. Dentro do hotel, restaurantes e lojas, de joias e de artesanato, também estão fechadas. No mini shopping, que possui mais de 20 pontos comerciais, o clima também era de abandono.

Nos 611 apartamentos, o mobiliário foi desmontado e a roupa de cama retirada. Das suítes, a presidencial é conhecida por ter hospedado os ex-presidentes Lula e Dilma e recentemente, em 2018, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence. As duas suítes tropicais do hotel têm piscinas no terraço. Uma delas foi residência do ex-vice governador Samuel Ranan, local onde ele costumava despachar.

No auge, o hotel empregou 1,2 mil profissionais e muitos residiam no complexo. Uma vila de casas foi criada para abrigar funcionários, inclusive, que vinham de outros estados e países para trabalhar no local. Nos últimos anos, hotel operou em média com 230 funcionários e fechou às portas com o quadro de apenas 100 profissionais, demitidos em maio de 2019.

Referência em hotelaria no Amazonas, uma das belezas do hotel era o zoológico. Mesmo com o hotel fechado, a administração abriu as instalações do zoológico para visitação por um preço simbólico de R$ 10 e doações mantiveram a alimentação dos animais. Sem o fornecimento de energia e água, o local não está mais aberto para visitações. Segundo o responsável técnico e biólogo, Nonato Amaral,  a maioria dos mais de 200 animais que viviam no local já foram transferidos para outros zoológicos ou espaços mantenedores de fauna.

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Repórter de A Crítica

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