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Manaus
SEM CONDIÇÕES

Socorristas denunciam falta de estrutura do Samu para atendimentos em Manaus

Serviço conta com dez ambulâncias para atender ocorrências de toda a capital amazonense. Quantidade de viaturas é a justificativa para o Samu acabar não atendendo alguns casos, como denunciou a PM 15/09/2018 às 02:31
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Foto: Arquivo/AC
Izabel Guedes Manaus (AM)

Funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) contestaram as acusações da Polícia Militar de que o órgão estivesse se negando a atender chamadas feitas por policiais presentes nos locais das ocorrências. Um grupo de socorristas esteve, nessa sexta-feira (14), na assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM) denunciando as condições precárias em que estão trabalhando e afirmam que a entidade não tem ambulâncias suficientes para atender todas as ocorrências solicitadas ao órgão. 

De acordo com o condutor e socorrista Denilson Vilar, o caso da morte de uma mulher que foi empurrada e bateu à cabeça em um ônibus, acontecido essa semana, foi uma das inúmeras situações ocasionadas pela falta de ambulâncias.

“A PM registrou o boletim de ocorrência como omissão de socorro do Samu, como se a gente tivesse que fazer mágica. A gente tem dez ambulâncias, quando tem dez, para atender dois milhões e cem mil habitantes. Então é completamente inviável, desumano o que estão fazendo com o Samu hoje e se não tomarem providências mais pessoas vão morrer. Porque acidente tem todo dia na rua e o Samu é a porta de entrada para todo e qualquer cidadão. Só que estão tratando a gente com descaso. Já foram feitas varias denúncias no Ministério Público do Trabalho e Ministério Público Federal, mas nenhuma providência foi tomada”, reclama. 

Ele e mais outros trabalhadores do órgão, além de questionar essa situação afirmam que os veículos precisam de manutenções e que muitas vezes os próprios funcionários realizam tais reparos, para poder realizar o atendimento. Denunciaram também que nunca receberam aumento de salário e o repasse de R$ 2 milhões destinado a melhorias do órgão, encaminhados pelo Governo Federal ainda esse ano, nunca surtiram efeito.

“A nossa situação, que se encontra hoje, é caótica. Quando chegamos em uma ocorrência a população quer nos atacar e muitas vezes com razão. A gente tem um tempo-resposta de seis a dez minutos e isso não acontece devido ao quantitativo de ambulâncias que é pouco. Temos que sair de uma base oeste para atender na norte, então isso demora em mais de uma hora. Então quando a gente chega lá a população esta chateada. E a gente vai acabar se tornando vitima. Por isso pedimos providências”, comenta o condutor do Samu, Warderley Melo. 

Além das condições de trabalho o grupo reivindicou benefícios para a categoria. “A gente sai de uma ocorrência  para outra. É um esforço físico grande e aí, quando chega na base, a alimentação não é satisfatória. A gente tem outros problemas, como falta de pessoal e veículos inadequados”, comentou o socorrista Laércio Queiroz.

Acidentes foram estopim para denúncia

No documento que formaliza a denúncia da PM, o capitão Jeandro afirmou que o órgão passou a ter problemas nas solicitações de atendimento ao Samu após a base de rádio do Serviço ser retirada da Sala de Situação do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), localizado no bairro Petrópolis, Zona Sul.

Em relação ao não atendimento feito pelo serviço de urgência o denunciante afirmou que, além da população, os policiais também tentaram acionar o Samu, mas não obtiveram sucesso.

No caso da morte de  Andreia Sousa Nascimento, 35, arremessada de um ônibus durante uma briga, o marido da vítima decidiu levá-la ao Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, na Zona Leste, após esperar por cerca de uma hora e não receber atendimento do Samu. Já no acidente doméstico, também citado no documento, o ex-marido da vítima foi orientado pela Polícia Militar a registrar um Boletim de Ocorrência por omissão.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), que é responsável pelo Samu, informou por meio da assessoria de imprensa que vai apurar os casos relatados.

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