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Amazônia
Serras Guerreiras de Tapuruquara

Expedição a comunidades do Rio Negro é uma experiência humana profunda

Visitantes do projeto de turismo comunitário contam o que foi mais marcante durante os dias de viagem com os ribeirinhos 03/11/2018 às 00:23 - Atualizado em 11/11/2018 às 14:17
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Foto: Arnaldo Franken
Luciano Falbo luciano.falbo@acritica.com

As belezas naturais vistas durante as trilhas, canoadas e banhos nas praias são os atrativos que chamam a atenção imediata dos visitantes das expedições do projeto “Serras Guerreiras do Tapuruquara”, em Terras Indígenas do Rio Negro. Com o passar dos dias, no entanto, a imersão no modo de vida do povo e a interação com ele provocam experiências ainda mais marcantes aos “de fora”, e os comunitários também. A experiência humana prevalece.

Para a bióloga Mariana Inglez, o que ficará marcado nas lembranças são as pessoas que ela conheceu. “Lembro da risada do seu João e da forma paciente com a qual ele respondia todas as minhas perguntas. Lembro do som das crianças rindo e correndo para pular no rio, seguido do som da água espirrando. Lembro do Janilson me contando sobre as Serras Guerreiras e da força dona Adalvina contanto como foi difícil cuidar da roça para manter seus filhos”, recordou.

O ativista político Pedro Kelson disse que as maiores lembranças ficaram em seu corpo. “Ou seja, em como a experiência mudou meu comportamento. Tem comportamentos que são tão naturais para mim que eu nem percebo. Mas no contato com essas pessoas, pelo fato de não serem naturalizados para elas, ficaram super evidentes. Por exemplo: o quanto eu pergunto e falo. Esses povos são mais silenciosos. Aprendem observando e não perguntando. O processo de aprendizagem é diferente. Se eu aprendo com eles a ficar mais quieto e a observar mais, eu aprendo a aprender de outras formas e isso amplia o meu repertório”, destacou ele.

 Convívio durante os dias da expedição é harmonioso e especial. Foto: Yan Boechat

A hospitalidade e receptividade foi marcante durante toda a expedição. A antropóloga Camila Barra, do ISA, observa que a reciprocidade característica muito especial da região. “Ela está na base destas relações e por isso garante uma vocação das comunidades de receber tão bem seus visitantes, de oferecer o que tem de melhor. Todo mundo dá e, assim, todo mundo recebe”, afirma.

 Foto: Pedro Kelson

Foto: Mariana Inglez

Paula Arantes, da ONG Garupa, diz que a maior recompensa desse trabalho é o sorriso no rosto das pessoas depois que acaba. “Como muda a cara das pessoas”, ressalta. “É bom para os dois lados, mostra como somos iguais, desperta a compaixão, o sentido de coletivo que a gente perdeu na cidade. Vemos que do lado dos comunitários não há ganância, para eles o mais importante é mesmo esse contato, essa troca. É uma experiência profunda”.

Um ‘detox’ da rotina urbana

Só a experiência de ficar dez dias literalmente descontados (sem sinal de internet e celular) já era um sonho do casal Walter Boechat e Cláudia Miranda.

 Cláudia e Walter: sem contato com 'mundo externo'. Foto: Yan Boechat

“Foi uma desintoxicação total. Ter esse contato com essa natureza exuberante, essas praias maravilhosas, paisagens lindas foi um presente”, contou Walter.

Cláudia se encantou com as crianças. “Como elas são educadas!”, ressaltou ela. “Também fiquei impressionada com a honestidade, a pureza, educação, gentileza, a inteligência e a saúde deles. Eles são muito articulados se expressam muito bem no portugês.

 A musicoterapeuta Cláudia Miranda se encantou com o comportamento das crianças. Foto: Luciano Falbo

Eles ficaram sabendo da expedição por meio da internet. “Eu sigo a página do ISA nas redes sociais e recebo , emails também”, disse Walter.

Outros atrativos

Além das belas paisagens, da rica natureza e dos muitos roteiros de aventura, um atrativo à parte é a gastronomia do Rio Negro, rica em peixes (principalmente tucunaré e aracu), além de frutas, mingaus e bolinhos de todo tipo feitos, principalmente, de mandioca.

 

Foto: Paula Arantes

 

Foto: Luciano Falbo

 Foto: Paula Arantes

 Tucunaré moqueado. Foto: Yan Boechat

Os indígenas também são muito ativos fisicamente. Além dos afazeres diários, eles apreciam o vôlei e futebol, principalmente o primeiro, cujos campeonatos são dos principais eventos na região, dos quais até os mais idosos participam.

Foto: Mariana Inglez

 Foto: Arnaldo Franken 

Acesse o site

O site do projeto, http://www.serrasdetapuruquara.org, tem todos os detalhes e o questionário para se inscrever na seleção para participar das expedições. Nele também há detalhes dos roteiros, datas e preços, além de outras fotos da região a ser visitada.

Confira as outas reportagens da série:

1 - Projeto de turismo comunitário mostra a Amazônia sob um outro aspecto: https://www.acritica.com/channels/governo/news/projeto-de-turismo-comunitario-mostra-a-amazonia-sobre-um-outro-aspecto

 

2 - Projeto turístico em Terras Indígenas pioneiro estimula o resgate cultural dos povos: https://www.acritica.com/channels/governo/news/projeto-turistico-em-terras-indigenas-pioneiro-estimula-o-resgate-cultural-dos-povos

 

3 - Turismo comunitário no Rio Negro é uma iniciativa dos próprios ribeirinhos: https://www.acritica.com/channels/governo/news/turismo-comunitario-no-rio-negro-e-uma-iniciativa-dos-proprios-ribeirinhos

 

4 - Expedição a comunidades do Rio Negro é uma experiência humana profunda: https://www.acritica.com/channels/governo/news/expedicao-a-comunidades-do-rio-negro-e-uma-experiencia-humana-profunda

 

5 - Seleção para participar das viagens do projeto de turismo comunitário é criteriosa: https://www.acritica.com/channels/governo/news/selecao-para-participar-das-viagens-do-projeto-de-turismo-comunitario-e-criteriosa

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