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Amazônia
Serras Guerreiras de Tapuruquara

Seleção para participar das viagens do projeto de turismo comunitário é criteriosa

Filtro de perfis é feito para respeitar as definições dos ribeirinhos, que gostam do intercâmbio e fazem um chamado especial 03/11/2018 às 00:24 - Atualizado em 10/11/2018 às 10:03
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Do alto das serras é possível fazer belíssimos registros fotográficos. Foto: Yan Boechat
Luciano Falbo luciano.falbo@acritica.com

A seleção dos visitantes das expedições do projeto de turismo de base comunitária em Terras Indígenas do Rio Negro “Serras Guerreiras de Tapuruquara” é criteriosa. A coordenadora da ONG Garupa, Paula Arantes, explicou que é necessário balizar as expectativas dos interessados em participar da expedição.  

“Tomamos o cuidado de mostrar que ali eles não iam ver índio nu, por exemplo. E a escolha das pessoas foi muito em função das definições dos próprios ribeirinhos”, disse Paula.

“Eles tinham a insegurança de ‘ah, se um cara solteiro vem e se engraça, com as meninas’, ou se tem algum tipo de violência, o que eles não têm por ali. Então, a gente fez um questionário, buscando muitas referências das pessoas interessadas e, com muitas, fiquei mais de uma hora conversando por telefone”, contou.

 Recepção dos comunitários de Aruti. Foto: Arnaldo Franken

O preço, disse ela, ficou dentro do mercado, cerca de R$ 5 mil por pessoa, que é mais ou menos o que é cobrado para outros roteiros de turismo comunitário e os valores que são pagos às comunidades pelos serviços, como hospedagem, guia e alimentação, também são similares.

A avaliação dela e da antropóloga Camila Barra, do ISA, é que o projeto deu certo, e que os ajustes são necessários e naturais. A expedição teste serviu para isso.

Os indígenas também aprovaram o trabalho. “Eu tenho gostado muito. Estamos conhecendo pessoas diferentes. Acho que veio para ficar”, disse Janilson Manoel Rodrigues, 37.

“Eu nunca tinha ouvido falar do ecoturismo, muita gente não queira porque não sabia como era, pensava que era para maltratar animais, mas depois explicaram e viram que era bom”, disse. “É uma troca muito boa, você aprende palavras novas, eu sou muito curioso, e ensina também”, contou. Se dependesse dele, contou sorrindo, ficaria direto como guia, mas tem que dar espaço ao outros, reconheceu.

 Um dos alojamentos para recber os turistas. Há água mineral e energia nas comunidades para recarregar aparelhos. Foto: Arnaldo Franken

O professor Alessandro Cruz, 28, vice-presidente da Acir, fez um convite para quem quiser conhecer a região: “Aqui as pessoas já acordam sorrindo e vão dormir sorrindo. Aqui não tem tristeza. Quem vier conhecer vai sair mais animado, mais alegre do que veio e fortalecido para enfrentar o dia-dia da cidade, volta renovado, do zero, com força extra para enfrentar um cotidiano que é bem diferente do nosso”, ressaltou.

Todo visitante deixa um relato aos comunitários sobre os dias que passaram ali. Foto: Luciano Falbo

As afirmações de Alessandro podem ser comprovadas nos recados que os visitantes deixam em um caderno (cada comunidade tem o seu), assim como os relatos dos visitantes do roteiro ao qual A Crítica participou: a experiência humana é o mais marcante da expedição.

Acesse o site

O site do projeto, http://www.serrasdetapuruquara.org, tem todos os detalhes e o questionário para se inscrever na seleção para participar das expedições. Nele também há detalhes dos roteiros, datas e preços, além de outras fotos da região a ser visitada.

 Os fins de tarde oferecem um espetáculo diário de cores. Foto: Yan Boechat

Confira as outras reportagens da série:

1 - Projeto de turismo comunitário mostra a Amazônia sob um outro aspecto: https://www.acritica.com/channels/governo/news/projeto-de-turismo-comunitario-mostra-a-amazonia-sobre-um-outro-aspecto

 

2 - Projeto turístico em Terras Indígenas pioneiro estimula o resgate cultural dos povos: https://www.acritica.com/channels/governo/news/projeto-turistico-em-terras-indigenas-pioneiro-estimula-o-resgate-cultural-dos-povos

 

3 - Turismo comunitário no Rio Negro é uma iniciativa dos próprios ribeirinhos: https://www.acritica.com/channels/governo/news/turismo-comunitario-no-rio-negro-e-uma-iniciativa-dos-proprios-ribeirinhos

 

4 - Expedição a comunidades do Rio Negro é uma experiência humana profunda: https://www.acritica.com/channels/governo/news/expedicao-a-comunidades-do-rio-negro-e-uma-experiencia-humana-profunda

 

5 - Seleção para participar das viagens do projeto de turismo comunitário é criteriosa: https://www.acritica.com/channels/governo/news/selecao-para-participar-das-viagens-do-projeto-de-turismo-comunitario-e-criteriosa

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