Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
SEM RECEIOS

No AM, indígenas agradecem Bolsonaro por 'abrir as portas para o agronegócio'

O grupo fez questão de ressaltar que ação não se tratava de protesto, mas sim de ato de agradecimento à presença do presidente Jair Bolsonaro em Manaus



WhatsApp_Image_2019-11-27_at_12.19.18_C50B8DA5-345E-4CEA-B5AC-3D3A3C53DDA3.jpeg Foto: A Crítica
27/11/2019 às 12:28

Um grupo de indígenas de diversas etnias esteve na entrada da abertura da 1ª Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus (fesPIM), que acontece nesta quarta-feira (27) em um centro de convenções na Zona Sul da capital. Os líderes faziam questão de ressaltar que não se tratava de protesto, mas ato de agradecimento à presença do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de apoio ao agronegócio no país. Os Indígenas que declaram apoio a Bolsonaro não participaram da abertura da feira, agenda exclusiva para convidados.

“É para agradecer o presidente por abrir as portas para o agronegócio no Amazonas, principalmente, com o plantio de cana de açúcar e de milho. O milho é uma cultura milenar dos povos indígenas. Os povos indígenas estão muito esperançosas de que isso venha trazer dignidade para o nosso povo que deseja igualdade e inclusão. Nós, povos indígenas, queremos fazer parte desse cenário de progresso e inclusão no estado do Amazonas”, disse o cacique, Jair Marinha.

No início de novembro Jair Bolsonaro decidiu revogar o decreto 6.961, de 2009, que proibia plantações de cana de açucar no bioma amazônico. A decisãodo governo brasileiro foi criticada pela União Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), por favorecer a produção do Brasil no comércio internacional, segundo a entidade. Ambientalistas apontam que a expansão do cultivo pode colocar a Amazônia em cenário de colapso.

Incentivo ao agronegócio

Para o líder indígena Raimundo Sobrinho Baré o apoio do governo federal no incentivo ao agronegócio irá gerar sustentabilidade para as aldeias indígenas.



“Somos favoráveis à ocupação do agronegócio sustentável nas aldeias. Defendemos o extrativismo e a agricultura familiar. Entendemos que no extrativismo temos uma cadeia imensa se perdendo na natureza com produtos que deveriam estar no mercado consumidor”, disse.

Baré ponderou que o extrativismo familiar demanda formação técnica para o desenvolvimento das comunidades.  “Acreditamos que dentro desse agronegócio vamos ter o apoio técnico para ter essa produção que irá gerar renda para as famílias e trazer para o mercado consumidor mais alimentos”, declarou.

Na avaliação do líder indígena do Alto Solimões, Robério Kambeba, a parceria das empresas Millenium BioEnergia e Nativos da Amazônia com comunidades de diversas étnicas irá representar prosperidade para o futuro dos povos indígenas. 

“Estamos no século 21 e ainda plantamos com a inchada. Essa parceria vai trazer no futuro o desenvolvimento sustentável para comunidades indígenas e uma plantação com qualidade na mesa do consumidor final”, disse.

Questionada sobre a substituição de antropólogos por engenheiros agrônomos para tratar da demarcação de terras indígenas na Funai, a indígena Alcilene Apurinã avalia que a medida, apesar de ter reacendido a polêmica sobre os direitos dos indígenas, não apresentará impactos negativos.

“Os antropólogos nunca deixarão de ser ouvidos. Hoje, a política e o movimento indígena estão buscando estreitar cada vez mais os laços de diálogo com o governo. Acredito eu não vamos ter dificuldades. O presidente agiu dessa forma por ser uma necessidade do governo em si e temos os nossos anseios particulares da comunidade indígena que vão se somar aos deles”, avalia a liderança indígena.
 

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