Quarta-feira, 23 de Outubro de 2019
SETE DIAS

Caso Flávio Rodrigues: o que se sabe sobre a morte do engenheiro

Sete dias se passaram desde que o corpo do engenheiro foi encontrado no bairro Tarumã e até o momento o caso segue sem solução



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06/10/2019 às 21:11
 

Uma semana após o crime, cinco suspeitos estão presos temporariamente por envolvimento direto ou indireto no caso da morte do engenheiro Flávio Rodrigues, sendo Elielton Magno de Menezes Gomes Júnior, 22 anos, José Edvandro Martins de Souza  Júnior, 31 anos, o cozinheiro Vitório Dell Gato, o sargento da Polícia Militar (PM) Elizeu da Paz de Souza, 37 anos, e o ex-PM Mayc Vinícius Teixeira Parede, 37 anos.

Até o momento, Alejandro Molina Valeiko, 29 anos, filho da primeira-dama do município Elizabeth Valeiko e enteado do prefeito Arthur Vírgilio Neto (PSDB), ainda não se apresentou a justiça. Os advogados de defesa de Alejandro informaram, por meio de nota, afirmaram que o suspeito deverá se entregar até ás 13h desta segunda-feira (7), na sede da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).



Um corpo encontrado

Na tarde de segunda-feira (30), por volta das 17h38, a irmã de Flávio compareceu no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP). E na unidade policial, a mulher de 47 anos informou que o irmão fora vítima de homicídio. Consta no Boletim de Ocorrência (BO) de número 19.E.xxxx.000872, registrado por ela, que Flávio encontrou com José Junior em uma festa.

Em certo momento, José Junior solicitou a Flavio para levá-lo até a casa de um amigo, situada no Condomínio de luxo Passaredo, localizado no bairro Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus. Na casa morava Alejandro Valeiko. Segundo o BO, Flávio informou a José Junior que iria beber naquela casa e iria dormir ali, porém, segundo Junior, desistiu da ideia.

Na saída do imóvel, de acordo com o BO, os dois foram surpreendidos por vários homens que invadiram a casa de Alejandro e abordaram a todos que estavam no local. No BO consta, ainda, que José Junior se escondeu no banheiro e ao sair, encontrou Alejandro ferido à coronhada, Elielton Magno com facadas e Flávio não mais estava na residência. Os feridos foram encaminhados ao Hospital e Pronto Socorro (HPS) 28 de Agosto.

Versões

Um BO foi registrado no 19º DIP na madrugada de segunda-feira (30), por volta das 01h22, horas antes do corpo de Flávio ser encontrado no bairro Tarumã, nas proximidades do condomínio de luxo Passaredo. No BO de número 19.E.xxxx.008338, feito por José Junior, consta três crimes distintos, o homicídio tentado de Elielton Magno; a lesão corporal contra Alejandro Molina; e o seqüestro e cárcere privado do engenheiro Flávio Rodrigues.

Nesse BO consta que na noite, por volta das 22h26, de domingo (29), José Junior e mais três amigos estavam na casa de Alejandro Molina quando um carro estacionou na garagem do imóvel e um homem encapuzado e munido de uma pistola entrou no lugar. De acordo com o documento, José Junior trancou-se no banheiro e ao sair tomou conhecimento do ocorrido com os outros.

O 19º DIP e a DEHS estão à frente das investigações acerca do homicídio. Segundo a polícia, no local onde Flávio foi encontrado não havia vestígios de sangue o que levantou a hipótese de que a vítima fora morta na casa onde estava. O Instituto Médico Legal (IML) identificou seis golpes de arma branca no corpo da vítima, sendo dois golpes na lateral esquerda do abdômen; dois na coxa esquerda; e mais dois nas costas.

O andamento

Ainda no dia 30 de setembro, segundo seus advogados, Alejandro Valeiko compareceu no 19º DIP para prestar esclarecimentos. Sobre a noite do crime, ele disse à polícia que estava com o grupo na sala da casa, mas que não sabia o nome de nenhum deles. A versão foi rebatida por um segurança do Passaredo que, categoricamente, afirmou que Flávio era frequentador assíduo da residência.  

Inicialmente, 11 pessoas participaram das oitivas acerca do caso. A família de Flávio suspeita de queima de arquivo. O Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) coletou na quarta-feira (2) amostras de barro e sangue encontradas no sapatênis de Alejandro. O prefeito Arthur Vírgilio Neto (PSDB) saiu em defesa do enteado. Na ocasião, argumentou que o rapaz não tem ligação com o crime e o condomínio Passaredo foi invadido por bandidos.

 A assessoria jurídica do condomínio, em nota emitida na terça-feira (1), rebateu as acusações de Arthur. Segundo a assessoria, o "possuidor/proprietário do lote em questão [no caso Alejandro Molina] autorizou que alguns convidados fossem até sua residência. Porém, houve um desentendimento entre as pessoas que ali estavam iniciando uma discussão entre eles".

Prisões

Na quarta-feira (2), a Justiça Estadual decretou as prisões temporárias de Elielton Magno; José Junior; o sargento PM Elizeu da Paz; e o ex-PM Mayc Vinícius Teixeira. Câmeras condomínio Passaredo captaram o momento em que a dupla de PMs adentraram no condomínio. Alejandro e Vittorio tiveram as prisões temporárias decretadas na quinta-feira (3). Após o depoimento no 19º DIP, às 15h35, Alejandro viajou para o Rio de Janeiro (RJ) acompanhado de duas pessoas. Segundo o prefeito Arthur Neto, o rapaz foi internado em uma clínica para dependentes químicos.

O primeiro a ser preso foi Elielton Magno na quinta-feira (3). Ele concedia entrevista exclusiva, para o apresentador Sikêra Júnior na TV A Crítica, quando os policiais civis da DEHS efetuaram a prisão. Ao apresentador do Alerta Amazonas, Magno manteve a versão de que dois homens encapuzados entraram na casa. Ainda disse que não sabe quem matou Flávio, mas que todos na casa consumiram entorpecentes.

Horas depois, ainda na quinta-feira (3), o cozinheiro Vittorio Del Gatto e José Junior foram presos. Em depoimento à Polícia Civil no dia 30 de setembro, Vittorio disse que exercia funções de cuidador de Alejandro. O italiano apontou o rapaz como dependente químico e alguém com problemas psiquiátricos. Na manhã de sexta-feira (4), por volta das 11h40, o sargento da PM Elizeu da Paz, e o ex-PM Mayc Vinicius, de maneira voluntária se entregaram à polícia acompanhados pelos seus advogados.

O sexto

Até o momento, Alejandro Molina Valeiko não se entregou à policial. Os advogados de defesa, Marco Aurélio Choy e Yuri Dantas, solicitaram à Justiça um pedido de conversão de prisão temporária para prisão domiciliar. E no sábado (5), a desembargadora Joana dos Santos Meirelles, plantonista do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), acatou a solicitação dos advogados.

A decisão da desembargadora pede que Alejandro se apresente voluntariamente dentro de 24 horas na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), o que deve ocorrer nesta segunda-feira (7), para cooperar com as investigações e deverá em seguida, ser levado até a sua residência.

Caso Alejandro não compareça, a prisão domiciliar será revogada. Em único e breve pronunciamento sobre o caso e o filho, a primeira dama do município, Elizabeth Valeiko, afirmou em coletiva de imprensa que o filho dela é doente, porém, não é assassino.


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